Atividade de figuras de linguagem em músicas para o 8º e o 9º ano, com 7 questões baseadas em canções brasileiras. Alinhada à habilidade EF89LP37 da BNCC, trabalha a análise dos efeitos de sentido produzidos por recursos expressivos. O material inclui gabarito completo com resolução.
Exercícios de Figuras de Linguagem em Músicas
Leia os fragmentos e responda às questões. Em algumas atividades, pode ser útil ouvir a canção completa antes de analisar o trecho.
1. Exagerado, Cazuza
Leia o fragmento:
“Por você eu dançaria tango no teto.”
A atitude apresentada é possível em sentido literal?
a) Sim, porque descreve uma dança comum.
b) Não, porque apresenta um exagero intencional.
c) Sim, porque o teto representa um palco.
d) Não, porque o trecho não expressa nenhum sentimento.
Identifique a figura de linguagem presente e explique o efeito produzido pelo exagero.
2. A Lua Me Traiu, Banda Calypso
Leia o fragmento:
“A Lua me traiu.”
A canção atribui à Lua uma ação geralmente associada aos seres humanos.
Complete as lacunas:
A figura de linguagem presente é a ______________________, também chamada de ______________________. Ela ocorre porque a Lua recebe a ação humana de ______________________ alguém.
Depois, reescreva a frase em linguagem literal, mantendo a ideia de decepção apresentada pelo eu lírico.
3. Monte Castelo, Legião Urbana
Leia o fragmento:
“Amor é fogo que arde sem se ver.”
O verso empregado na canção retoma o conhecido soneto de Luís de Camões.
Classifique as afirmações como verdadeiras ou falsas.
- O amor é apresentado como um fogo real e visível.
- A aproximação entre amor e fogo constitui uma metáfora.
- A expressão “arde sem se ver” combina ideias aparentemente incompatíveis.
- O fragmento produz apenas um sentido objetivo e informativo.
Em seguida, explique o que as imagens de “fogo” e “arder” sugerem sobre o sentimento amoroso.
4. Chove Chuva, Jorge Ben Jor
Leia o fragmento:
“Chove chuva, chove sem parar.”
O trecho apresenta repetição de palavras e de sons consonantais.
Relacione cada recurso ao efeito correspondente.
Coluna 1
- Repetição da palavra “chove”
- Repetição do som inicial de “ch”
- Expressão “sem parar”
Coluna 2
(__) Reforça a ideia de continuidade da chuva.
(__) Produz musicalidade por meio da aliteração.
(__) Intensifica e mantém a ação em destaque.
Qual desses recursos depende principalmente do som das palavras? Justifique.
5. Esperando na Janela, Cogumelo Plutão
Leia o fragmento:
“Você é a escada da minha subida.”
A frase estabelece uma aproximação entre uma pessoa e uma escada, sem utilizar palavras comparativas como “como” ou “parece”.
Responda:
a) Qual figura de linguagem aparece no fragmento?
b) O que a expressão “minha subida” pode representar no contexto de uma relação afetiva?
c) Substitua a metáfora por uma comparação explícita, preservando o sentido principal.
6. Mulheres, Martinho da Vila
Leia o fragmento:
“Você não é mentira, você é verdade.”
O trecho aproxima duas ideias de sentidos contrários.
Assinale a alternativa que apresenta a classificação e a interpretação adequadas.
a) Hipérbole, pois o eu lírico exagera a importância da pessoa.
b) Antítese, pois “mentira” e “verdade” são colocadas em oposição.
c) Eufemismo, pois uma ideia desagradável é suavizada.
d) Aliteração, pois há repetição predominante de sons consonantais.
Explique como a oposição entre as duas palavras contribui para caracterizar a pessoa mencionada.
7. O Tempo Não Para, Cazuza
Leia o fragmento:
“Eu vejo um museu de grandes novidades.”
O trecho reúne palavras que, em princípio, apontam para sentidos diferentes: “museu” costuma remeter ao passado, enquanto “novidades” remete ao novo.
Produza uma resposta de quatro a seis linhas explicando:
Qual figura de linguagem é construída pela aproximação dessas ideias? Que crítica pode ser percebida no fragmento? Em sua resposta, diferencie uma novidade verdadeira da repetição de algo antigo apresentado como novo.
Gabarito
1. Exagerado
Resolução: Dançar tango no teto não corresponde a uma ação normalmente possível. O trecho amplia de maneira intencional aquilo que o eu lírico estaria disposto a fazer pela pessoa amada. Esse exagero comunica intensidade emocional e não deve ser interpretado como uma promessa literal. A alternativa “a” está errada porque não se trata de uma dança comum. A alternativa “c” cria uma interpretação que não aparece no verso. A alternativa “d” está errada porque o exagero expressa dedicação e paixão.
Resposta final: Alternativa b. A figura de linguagem é a hipérbole. Ela intensifica o sentimento amoroso ao apresentar uma ação impossível ou extremamente improvável como prova de dedicação.
2. A Lua Me Traiu
Resolução: Trair é uma ação associada a pessoas capazes de assumir compromissos e quebrar relações de confiança. A Lua, elemento da natureza, não pode realizar essa ação literalmente. Ao atribuir-lhe um comportamento humano, a letra transforma a Lua em participante simbólica da decepção vivida pelo eu lírico.
A primeira lacuna deve ser preenchida com “personificação”, nome mais frequente para esse recurso. “Prosopopeia” é outra denominação aceita. Na última lacuna, o termo esperado é “trair”.
Na reescrita literal, o aluno deve retirar a ação humana atribuída à Lua e explicar que a expectativa criada naquela noite não se realizou.
Resposta final: Personificação, também chamada de prosopopeia, porque a Lua recebe a ação humana de trair alguém.
Exemplo de reescrita: “A noite que parecia favorecer o encontro terminou em uma grande decepção.”
São aceitas outras formulações que mantenham a ideia de frustração e eliminem a ação humana da Lua.
3. Monte Castelo
Resolução: O primeiro item é falso porque o amor não é um fogo material que possa ser visto. O segundo é verdadeiro, pois ocorre uma associação implícita entre amor e fogo. O terceiro é verdadeiro porque “arder” sugere uma sensação perceptível, enquanto “sem se ver” indica invisibilidade. A combinação cria uma tensão expressiva. O quarto é falso, já que o trecho utiliza linguagem conotativa e apresenta diferentes possibilidades de interpretação.
A imagem do fogo sugere intensidade, calor, energia, transformação e até sofrimento. O verbo “arder” indica que o sentimento pode ser vivido de modo profundo, mesmo sem ser observado externamente.
Resposta final: F, V, V, F. O fragmento apresenta metáfora e também uma construção de caráter paradoxal. O amor é relacionado ao fogo para representar um sentimento intenso, capaz de afetar uma pessoa mesmo sem possuir forma visível.
4. Chove Chuva
Resolução: A expressão “sem parar” informa diretamente que a chuva continua, por isso corresponde ao primeiro espaço da Coluna 2. A repetição do som “ch” produz um efeito sonoro perceptível, caracterizando a aliteração. A repetição da palavra “chove” mantém a ação em evidência e intensifica sua presença no trecho.
O recurso que depende principalmente do som é a aliteração. Ela não se forma apenas pela repetição de uma ideia, mas pela recorrência de um som consonantal em palavras próximas.
Resposta final:
- Reforça a ideia de continuidade da chuva.
- Produz musicalidade por meio da aliteração.
- Intensifica e mantém a ação em destaque.
A aliteração depende principalmente do som das palavras, pois é construída pela repetição do som consonantal representado por “ch”.
5. Esperando na Janela
Resolução: A pessoa mencionada não é literalmente uma escada. A letra associa essa pessoa a algo que permite subir, avançar ou alcançar um ponto mais alto. Como não há conectivo comparativo, a aproximação constitui uma metáfora.
“Subida” pode representar crescimento, superação, realização, felicidade ou mudança positiva. Na transformação em comparação, o aluno deve acrescentar uma expressão como “é como”, “parece” ou “funciona como”.
Resposta final:
a) Metáfora.
b) “Minha subida” pode representar o desenvolvimento pessoal, a superação de dificuldades ou a conquista de uma vida melhor com o apoio da outra pessoa.
c) Exemplo: “Você é como uma escada que me ajuda a subir.”
A resposta admite variações criativas. É satisfatória quando mantém a pessoa como fonte de apoio ou crescimento. Uma resposta que apenas troque palavras, sem explicar a ideia de avanço, é incompleta.
6. Mulheres
Resolução: “Mentira” e “verdade” possuem sentidos opostos e aparecem lado a lado para destacar uma diferença. Essa oposição caracteriza a antítese. A alternativa “a” está errada porque não há exagero evidente. A alternativa “c” está errada porque nenhuma informação desagradável está sendo suavizada. A alternativa “d” está errada porque o efeito principal depende do contraste de sentidos, não da repetição de sons.
Ao negar que a pessoa seja “mentira” e afirmar que ela é “verdade”, o eu lírico a apresenta como autêntica, confiável e diferente das experiências anteriores.
Resposta final: Alternativa b. A figura é a antítese. A oposição reforça que a pessoa é percebida como verdadeira, especial e digna de confiança.
7. O Tempo Não Para
Resolução: Um museu geralmente reúne objetos, registros e obras relacionados à preservação do passado. A palavra “novidades”, por outro lado, indica algo recente ou ainda desconhecido. A união dessas ideias cria uma aparente contradição. O fragmento pode sugerir que fatos, discursos ou problemas antigos retornam com aparência de novidade.
Uma resposta satisfatória deve nomear o paradoxo, explicar a oposição entre passado e novo e relacioná-la à crítica da repetição histórica. Uma resposta que apenas defina “museu” e “novidade”, sem interpretar a crítica, é incompleta.
Resposta final: O fragmento constrói um paradoxo, com possível efeito de ironia. A expressão critica situações antigas que são repetidas e apresentadas como se fossem novas. Uma novidade verdadeira traz uma mudança efetiva; a falsa novidade apenas modifica a aparência de práticas, ideias ou problemas já conhecidos.
Exemplo de resposta aceitável: “A expressão forma um paradoxo porque combina um espaço ligado ao passado com a ideia de novidade. O eu lírico sugere que a sociedade chama de novo aquilo que apenas repete situações antigas. Assim, há uma crítica à falta de mudanças reais.”
Outras respostas são aceitas quando apresentam essa mesma lógica de interpretação.
Como aplicar essa atividade
Momento ideal de aplicação
A proposta funciona melhor durante ou depois da explicação das principais figuras de linguagem. Nesse momento, os alunos já possuem referências conceituais, mas ainda precisam aprender a relacionar a classificação ao efeito de sentido.
Dificuldade comum
Muitos estudantes identificam uma palavra exagerada ou uma oposição, mas não conseguem explicar por que o compositor escolheu esse recurso. Durante a correção, peça que completem oralmente a frase: “Esse recurso faz o ouvinte perceber que…”.
Variação por perfil de turma
Em turmas com dificuldade, apresente previamente um quadro com definições e exemplos não retirados das canções. Nas turmas avançadas, solicite a identificação de mais de uma figura no mesmo fragmento e a comparação entre interpretações possíveis.
Atividade complementar
Depois da correção, organize grupos para selecionar uma música brasileira e apresentar um fragmento curto, a figura identificada e seu efeito. A turma pode reunir as análises em uma playlist comentada, respeitando os direitos autorais e evitando a reprodução integral das letras.
Conclusão
A análise de canções aproxima o estudo das figuras de linguagem de textos que circulam no cotidiano dos estudantes do 8º e do 9º ano.
As questões exigem mais do que a memorização de nomes, pois relacionam cada recurso à construção de sentimentos, imagens e críticas.
Esse movimento favorece uma leitura menos literal e mais atenta às escolhas linguísticas dos compositores.
Nessa faixa etária, a prática também fortalece a argumentação necessária para justificar interpretações em textos literários e multissemióticos.
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