Esta atividade de interpretação de texto sobre o Dia dos Pais foi preparada para o 8º e o 9º ano, com 12 questões variadas de leitura, inferência, análise de linguagem e produção escrita. O material desenvolve a habilidade EF89LP33 da BNCC, voltada à leitura autônoma e à compreensão de textos literários, e inclui gabarito completo com resolução de cada item.
Interpretação de texto sobre o Dia dos Pais
O presente que não marcava horas
Na sexta-feira anterior ao Dia dos Pais, Elisa parou diante de uma vitrine. Um relógio de pulseira azul parecia ter sido colocado ali para lembrá-la do que faltava: dinheiro. Seu pai, Renato, usava havia anos o mesmo relógio, agora parado às 6h17. Quando alguém perguntava por que não o consertava, respondia:
“Há coisas que continuam dizendo muito, mesmo quando deixam de funcionar.”
Elisa sabia que o relógio tinha pertencido ao avô. Ainda assim, imaginava que um novo seria o presente ideal. Fez as contas no celular, diminuiu o valor do lanche, somou moedas esquecidas, mas o resultado continuou pequeno. A vitrine devolveu a ela um rosto dividido entre o desejo e a conta.
Em casa, procurando uma caixa para embrulhar alguma lembrança mais barata, encontrou no alto do armário uma lata amassada. Dentro havia bilhetes de cinema, fotografias desbotadas, um desenho infantil e até a embalagem de um chocolate. No verso do desenho, reconheceu a letra do pai:
“Primeira vez que Elisa escreveu nosso nome sem pedir ajuda.”
Ela não se lembrava daquele momento. Renato, porém, o guardara.
Durante alguns minutos, Elisa espalhou os objetos sobre a cama. Percebeu que o pai colecionava instantes, não coisas. Então cortou uma folha de papel mais firme, dobrou-a ao meio e escreveu:
“Vale uma manhã sem pressa: caminhada, café e conversa. Celular desligado, horário livre e nenhuma desculpa.”
No domingo, Renato abriu o envelope devagar. Leu duas vezes e ficou em silêncio. Elisa temeu que o presente parecesse simples demais. O pai tocou o relógio parado e disse:
“Este aqui marca uma hora que eu não quero esquecer. O seu presente faz uma hora nova acontecer.”
Saíram depois do café. Caminharam até a praça, discutiram qual padaria fazia o melhor pão de queijo e riram de histórias que ambos contavam de modos diferentes. Quando o celular de Elisa vibrou, ela olhou para a tela, hesitou e o guardou sem responder. Renato não comentou. Apenas sorriu.
Na volta, a cidade parecia falar mais baixo. Elisa compreendeu que seu presente não cabia numa caixa, porque era feito de tempo compartilhado. E, pela primeira vez, a frase do pai deixou de parecer apenas uma desculpa: algumas coisas realmente continuam dizendo muito, mesmo quando não funcionam como antes.
Exercícios de Interpretação
1. Identificação do gênero textual
O texto apresenta características predominantes de qual gênero?
a) Notícia, porque informa um acontecimento recente de interesse público.
b) Crônica narrativa, porque apresenta uma situação cotidiana e conduz a uma reflexão.
c) Conto de terror, porque cria suspense sobre um objeto antigo.
d) Artigo de opinião, porque defende uma tese por meio de argumentos objetivos.
2. Foco narrativo
Identifique o tipo de narrador presente no texto. Em seguida, copie uma passagem que comprove sua resposta.
3. Conflito e transformação da personagem
Qual é o conflito vivido por Elisa no início da narrativa? Explique o que provoca a mudança em sua maneira de pensar sobre o presente do Dia dos Pais.
4. Interpretação do título
Explique por que o texto recebeu o título “O presente que não marcava horas”. Relacione sua resposta ao relógio de Renato e ao presente preparado por Elisa.
5. Verdadeiro ou falso
Classifique as afirmações em verdadeiras ou falsas. Corrija as falsas.
a) Elisa pretendia comprar um relógio novo porque o pai havia perdido o antigo.
b) Os objetos guardados na lata revelam que Renato valoriza lembranças familiares.
c) Elisa desliga o celular porque ele deixa de funcionar durante a caminhada.
d) No final, Elisa passa a compreender de outra forma a frase repetida pelo pai.
6. Relação entre elementos e significados
Relacione cada elemento da coluna A ao significado correspondente da coluna B.
Coluna A
- O relógio parado
- A lata com objetos antigos
- O vale escrito por Elisa
- O celular guardado sem resposta
Coluna B
A. Representa a decisão de priorizar o momento vivido com o pai.
B. Simboliza uma lembrança afetiva que permanece importante.
C. Reúne registros de experiências que Renato desejava preservar.
D. Materializa a promessa de oferecer atenção, conversa e convivência.
7. Figura de linguagem
Na passagem “Na volta, a cidade parecia falar mais baixo”, qual figura de linguagem foi empregada? Explique o efeito de sentido produzido no contexto.
8. Coesão referencial
Leia o trecho:
“Quando o celular de Elisa vibrou, ela olhou para a tela, hesitou e o guardou sem responder.”
A que palavra o pronome “o” se refere? Explique como essa retomada contribui para a construção do texto.
9. Sequência narrativa
Numere os acontecimentos de 1 a 5, de acordo com a ordem em que aparecem no texto.
(__) Renato lê o vale preparado pela filha.
(__) Elisa encontra uma lata com lembranças antigas.
(__) Elisa observa um relógio em uma vitrine.
(__) Pai e filha caminham até a praça.
(__) Elisa percebe que o pai colecionava instantes, não objetos.
10. Sentido de uma expressão
Explique o sentido da frase “A vitrine devolveu a ela um rosto dividido entre o desejo e a conta”. O rosto de Elisa estava literalmente dividido? Justifique.
11. Inferência e comprovação
Por que Renato sorri quando Elisa guarda o celular sem responder? Apresente uma interpretação e utilize pelo menos dois elementos do texto para sustentá-la.
12. Produção escrita
Imagine que Renato tenha registrado em um diário o que sentiu depois da caminhada. Escreva um parágrafo de 6 a 8 linhas em primeira pessoa.
Seu texto deve mencionar o presente recebido, a atitude de Elisa com o celular e o significado do tempo compartilhado. A resposta precisa ser coerente com a personalidade e com as ações de Renato apresentadas na narrativa.
Gabarito
1. Identificação do gênero textual
Resolução: O texto narra uma situação cotidiana vivida por uma filha e seu pai durante o período do Dia dos Pais. Há poucas personagens, tempo e espaço delimitados, conflito simples e uma reflexão final sobre afeto, memória e convivência. Essas características são próprias da crônica narrativa. A alternativa a está incorreta porque não há apresentação objetiva de fatos, fontes ou informações de interesse público. A alternativa c está incorreta porque o relógio não produz medo ou suspense. A alternativa d está incorreta porque o texto não organiza argumentos para defender diretamente uma tese.
Resposta final: Alternativa b, crônica narrativa.
2. Foco narrativo
Resolução: O narrador não participa dos acontecimentos como personagem e se refere a Elisa e Renato em terceira pessoa. Além disso, conhece pensamentos e sentimentos de Elisa, como seu receio de que o presente fosse simples demais. Isso caracteriza um narrador em terceira pessoa com acesso à interioridade da personagem.
Uma passagem possível é: “Elisa temeu que o presente parecesse simples demais.” O verbo “temeu” revela que o narrador conhece o sentimento da personagem.
Resposta final: Narrador em terceira pessoa. Passagens como “Elisa temeu que o presente parecesse simples demais” comprovam a resposta.
3. Conflito e transformação da personagem
Resolução: No início, Elisa deseja comprar um relógio novo, mas não possui dinheiro suficiente. Seu conflito envolve tanto a limitação financeira quanto a crença de que um bom presente precisa ser um objeto comprado. A mudança ocorre quando encontra a lata de Renato e percebe que ele preserva pequenos registros de momentos familiares. Essa descoberta mostra a ela que o pai valoriza experiências afetivas mais do que bens materiais.
Resposta final: Elisa não consegue comprar o relógio que considera ideal. Ao encontrar as lembranças guardadas pelo pai, compreende que pode oferecer tempo, atenção e convivência como presente.
4. Interpretação do título
Resolução: O título estabelece uma relação entre dois sentidos de “marcar horas”. O relógio antigo está parado e não cumpre mais sua função prática, mas marca simbolicamente uma lembrança importante. O vale de Elisa também não é um instrumento que mede o tempo, porém cria uma nova experiência entre pai e filha. Assim, o presente não indica horas no mostrador, mas atribui valor às horas vividas juntos.
Resposta final: O título se refere ao vale oferecido por Elisa, que não mede o tempo como um relógio, mas transforma uma manhã compartilhada em uma lembrança significativa.
5. Verdadeiro ou falso
a) Elisa pretendia comprar um relógio novo porque o pai havia perdido o antigo.
Resolução: O texto informa que Renato ainda usava o relógio antigo. Ele não o havia perdido, mas o objeto estava parado às 6h17 e possuía valor afetivo por ter pertencido ao avô.
Resposta final: Falsa. Elisa queria comprar um relógio novo porque o antigo não funcionava mais, e não porque havia sido perdido.
b) Os objetos guardados na lata revelam que Renato valoriza lembranças familiares.
Resolução: A lata contém fotografias, bilhetes, desenho infantil e outros registros de experiências vividas. Renato ainda anotou no desenho um momento importante do desenvolvimento da filha. Esses elementos demonstram seu cuidado com a memória familiar.
Resposta final: Verdadeira.
c) Elisa desliga o celular porque ele deixa de funcionar durante a caminhada.
Resolução: O celular vibra, portanto está funcionando. Elisa decide guardá-lo sem responder para cumprir a proposta escrita no vale e dedicar atenção ao pai.
Resposta final: Falsa. Ela guarda o celular por escolha, para preservar o momento compartilhado.
d) No final, Elisa passa a compreender de outra forma a frase repetida pelo pai.
Resolução: Inicialmente, a frase parecia uma justificativa para não consertar o relógio. Depois da caminhada, Elisa percebe que objetos, lembranças e relações podem conservar sentidos mesmo quando sua função prática se modifica.
Resposta final: Verdadeira.
6. Relação entre elementos e significados
1. O relógio parado
Resolução: O relógio pertenceu ao avô e permanece no pulso de Renato apesar de não funcionar. Seu valor está ligado à lembrança, e não à capacidade de informar as horas.
Resposta final: 1B.
2. A lata com objetos antigos
Resolução: Os objetos guardados registram acontecimentos familiares e mostram o esforço de Renato para preservar momentos significativos.
Resposta final: 2C.
3. O vale escrito por Elisa
Resolução: O vale promete caminhada, café, conversa e afastamento do celular. Ele transforma a intenção de estar presente em um compromisso concreto.
Resposta final: 3D.
4. O celular guardado sem resposta
Resolução: Elisa poderia interromper a caminhada para verificar a mensagem, mas decide guardar o aparelho. A atitude demonstra que ela prioriza a convivência com o pai.
Resposta final: 4A.
7. Figura de linguagem
Resolução: A cidade recebe uma ação humana, a capacidade de falar. Trata-se de personificação, também chamada de prosopopeia. A expressão não indica que prédios ou ruas falavam de verdade. Ela sugere que Elisa percebe o ambiente como mais calmo depois de viver um momento significativo com o pai. A mudança na cidade representa, principalmente, uma mudança na percepção da personagem.
Resposta final: A figura é a personificação. Ela produz uma sensação de tranquilidade e revela o estado emocional de Elisa após a caminhada.
8. Coesão referencial
Resolução: O pronome “o” retoma o substantivo masculino “celular”. Essa substituição evita a repetição da mesma palavra e mantém a ligação entre as ações: o aparelho vibra, Elisa olha para a tela e depois guarda o celular.
Resposta final: O pronome “o” refere-se ao celular de Elisa e contribui para a coesão ao evitar uma repetição desnecessária.
9. Sequência narrativa
Resolução: Primeiro, Elisa observa o relógio na vitrine. Depois, em casa, encontra a lata. Ao analisar os objetos, percebe que o pai colecionava instantes. No domingo, Renato lê o vale. Em seguida, os dois saem para caminhar.
Resposta final:
(4) Renato lê o vale preparado pela filha.
(2) Elisa encontra uma lata com lembranças antigas.
(1) Elisa observa um relógio em uma vitrine.
(5) Pai e filha caminham até a praça.
(3) Elisa percebe que o pai colecionava instantes, não objetos.
10. Sentido de uma expressão
Resolução: O rosto de Elisa não está fisicamente dividido. A expressão é metafórica e representa um conflito interno. De um lado, ela deseja comprar o relógio; de outro, reconhece que não possui dinheiro suficiente. A vitrine funciona como uma superfície que reflete sua imagem e, simbolicamente, sua indecisão.
Resposta final: A frase mostra que Elisa estava dividida entre o desejo de comprar o presente e sua limitação financeira. Não se trata de uma divisão literal.
11. Inferência e comprovação
Resolução: Renato sorri porque percebe que Elisa está cumprindo o que prometeu no vale e escolhendo permanecer presente naquele momento. A interpretação pode ser comprovada pelo trecho em que ela oferece uma manhã com “celular desligado” e pela cena em que guarda o aparelho sem responder. O fato de Renato não precisar comentar também sugere que ele compreendeu o valor da atitude.
Uma resposta incompleta afirmaria apenas que ele ficou feliz, sem explicar o motivo ou sem utilizar evidências da narrativa. Uma resposta satisfatória relaciona o sorriso ao compromisso de Elisa e apresenta marcas do texto.
Resposta final: Renato sorri porque reconhece que a filha está priorizando a convivência entre os dois. O vale prometia uma manhã sem celular, e Elisa confirma essa promessa ao guardar o aparelho quando ele vibra.
12. Produção escrita
Resolução: A produção deve ser escrita em primeira pessoa, como se Renato fosse o autor do diário. O aluno precisa mencionar o vale, a decisão de Elisa de não responder ao celular e a importância da manhã compartilhada. Também deve manter a personalidade afetiva de Renato, que valoriza lembranças e experiências simples.
Uma resposta satisfatória apresenta coerência com a narrativa, articula os três elementos solicitados e demonstra o que Renato sentiu ou aprendeu. Uma resposta incompleta apenas reconta a caminhada ou deixa de mencionar um dos elementos obrigatórios. A formulação admite variações pessoais e criativas.
Resposta final possível:
“Hoje recebi um presente que nenhum embrulho conseguiria guardar. Elisa me ofereceu uma manhã inteira de caminhada, café e conversa. Quando seu celular vibrou, pensei que nosso passeio seria interrompido, mas ela preferiu guardá-lo. Não foi o silêncio do aparelho que me alegrou, e sim a escolha que ela fez. Percebi que ainda temos muitas horas para construir juntos. Algumas delas talvez se tornem lembranças tão importantes quanto a hora marcada no relógio de meu pai.”
Como aplicar essa atividade
Momento ideal: A atividade funciona melhor depois de uma explicação breve sobre crônica, inferência e sentidos figurados, quando os alunos já conseguem reconhecer elementos narrativos básicos.
Leitura inicial: Faça uma primeira leitura contínua, sem interromper para explicar cada expressão, e deixe que a turma construa uma compreensão global.
Segunda leitura: Oriente os alunos a marcar trechos relacionados ao relógio, à lata, ao celular e às mudanças de pensamento de Elisa.
Dificuldade comum: Muitos alunos identificam os fatos, mas confundem informação explícita com inferência, especialmente na interpretação do silêncio e do sorriso de Renato.
Intervenção prática: Peça que indiquem qual frase do texto sustenta cada conclusão; isso reduz respostas baseadas apenas em opinião pessoal.
Turmas com dificuldade: Divida as questões em blocos e resolva coletivamente o primeiro item de cada tipo antes do trabalho individual.
Turmas avançadas: Solicite uma análise comparativa entre o valor material do relógio novo e o valor simbólico dos dois presentes.
Situações sensíveis: Apresente a proposta como reflexão sobre vínculos de cuidado, permitindo que o aluno pense em pai, responsável ou outra figura afetiva.
Correção compartilhada: Compare respostas diferentes nas questões abertas e discuta quais evidências tornam uma interpretação mais consistente.
Atividade complementar: Produza com a turma uma crônica curta sobre um objeto simples que conserva uma memória familiar ou comunitária.
Conclusão
A atividade trabalha a compreensão de uma crônica por meio de informações explícitas, inferências, símbolos e escolhas linguísticas.
O contraste entre objeto comprado e tempo compartilhado favorece discussões mais maduras sobre consumo, memória e relações afetivas.
No 8º e no 9º ano, esse percurso ajuda o aluno a justificar interpretações com evidências, evitando respostas vagas ou apenas intuitivas.
A análise do relógio, da lata e do celular também amplia a percepção de como objetos podem construir sentidos dentro de uma narrativa.
A produção final permite verificar se o estudante compreendeu o ponto de vista das personagens e consegue recriá-lo com coerência.
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