Esta atividade de interpretação de conto para 6º e 7º ano trabalha a leitura literária a partir de “A roupa nova do rei”, conto clássico de Hans Christian Andersen, em versão adaptada de domínio público. A proposta favorece a compreensão do enredo, a análise de personagens, a identificação do conflito narrativo e a reflexão sobre vaidade, aparência e pressão social.
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No currículo de Língua Portuguesa dos Anos Finais, a atividade se encaixa no campo artístico-literário, especialmente em momentos de estudo de narrativa, conto popular ou conto literário, podendo ser usada no 1º ou 2º bimestre. A BNCC relaciona esse trabalho à habilidade EF67LP28, que prevê ler e compreender, de forma autônoma, gêneros como contos populares, expressando avaliação sobre o texto lido, e também à EF69LP47, voltada à análise da composição de textos narrativos ficcionais, como enredo, foco narrativo, personagens, tempo e espaço.
Atividade de Interpretação de Conto
A roupa nova do rei
Autor: Hans Christian Andersen, versão adaptada
Há muitos anos, vivia um rei que gostava tanto de roupas novas que gastava quase todo o dinheiro do reino com tecidos, bordados e trajes luxuosos. Ele não se interessava muito por reuniões, caçadas ou assuntos importantes. Seu maior prazer era aparecer diante do povo usando uma roupa diferente.
Um dia, chegaram à cidade dois homens que diziam ser tecelões. Eles afirmavam saber fabricar o tecido mais maravilhoso do mundo. Segundo eles, a roupa feita com aquele tecido tinha uma qualidade especial: era invisível para qualquer pessoa incompetente ou incapaz de ocupar o cargo que exercia.
O rei ficou encantado com a ideia. Pensou que, além de usar uma roupa única, poderia descobrir quais funcionários de seu reino eram inteligentes e quais não serviam para seus cargos. Então, entregou muito ouro aos dois homens e pediu que começassem o trabalho imediatamente.
Os falsos tecelões montaram dois teares e fingiram trabalhar dia e noite. Moviam as mãos no ar, como se segurassem fios delicados, mas não havia nada nos teares. Mesmo assim, pediam mais seda, mais ouro e mais fios preciosos, que escondiam para si.
Curioso, o rei enviou um velho ministro para observar o trabalho. Ao chegar, o ministro arregalou os olhos, pois não viu tecido algum. “Será que sou incompetente?”, pensou. Com medo de perder o cargo, elogiou a beleza do tecido invisível e contou ao rei que a roupa seria magnífica.
Depois, outro funcionário foi enviado e aconteceu o mesmo. Ele também não viu nada, mas preferiu elogiar o trabalho para não parecer incapaz. Assim, a fama do tecido se espalhou pelo palácio, e todos diziam admirar algo que não conseguiam enxergar.
Finalmente, chegou o dia do desfile. Os tecelões fingiram vestir o rei com a roupa nova. O rei, embora não visse tecido algum, também fingiu estar maravilhado. Saiu pelas ruas, acompanhado por seus criados, que fingiam segurar a cauda do manto.
O povo, já sabendo da história do tecido mágico, aplaudia e elogiava a roupa do rei, mesmo sem enxergar nada. Ninguém queria ser chamado de tolo ou incompetente. De repente, uma criança gritou:
“O rei está sem roupa!”
Por alguns instantes, todos ficaram em silêncio. Depois, o povo começou a repetir a verdade. O rei percebeu que havia sido enganado, mas continuou andando, tentando manter a aparência de autoridade. Seus criados seguiram atrás, ainda fingindo carregar a cauda de um manto que nunca existiu.
Questões
- Qual é o título do conto lido?
- Quem é o autor do conto original?
- Marque a alternativa que melhor apresenta o principal defeito do rei no início da narrativa.
a) Generosidade exagerada.
b) Vaidade e preocupação excessiva com aparência.
c) Medo de conversar com o povo.
d) Falta de interesse por festas.
- Complete as lacunas com informações do conto.
Os dois homens que chegaram à cidade diziam ser __________________. Eles afirmavam produzir um tecido que era invisível para pessoas __________________ ou incapazes de __________________.
- Relacione os personagens às suas atitudes.
- Rei
- Falsos tecelões
- Ministro
- Criança
a) Disse em voz alta a verdade que todos evitavam falar.
b) Fingiu ver o tecido para não perder seu cargo.
c) Aceitou pagar caro por uma roupa inexistente.
d) Enganaram o rei e ficaram com os materiais preciosos.
- Responda: por que o ministro mentiu ao dizer que viu o tecido?
- Escreva V para verdadeiro e F para falso.
a) O rei gostava muito de roupas novas.
b) Os tecelões realmente fabricaram um tecido mágico.
c) O povo fingiu ver a roupa porque tinha medo de parecer incapaz.
d) A criança foi a primeira a dizer claramente que o rei estava sem roupa.
e) O rei interrompeu imediatamente o desfile quando descobriu a verdade.
- Qual é o conflito principal do conto?
a) O rei queria viajar para outro reino.
b) Dois homens enganaram o rei usando sua vaidade e o medo das pessoas.
c) O povo não queria assistir ao desfile.
d) A criança queria ser ministra do reino.
- O narrador participa da história como personagem ou apenas conta os acontecimentos? Explique sua resposta.
- No trecho “Ninguém queria ser chamado de tolo ou incompetente”, o que essa frase revela sobre o comportamento das pessoas?
- A atitude da criança foi importante para o final da história? Justifique.
- Escolha três características para o rei e explique uma delas com base no conto.
Características possíveis: vaidoso, inseguro, ingênuo, orgulhoso, preocupado com aparências, autoritário, enganado.
- Releia este trecho: “O rei percebeu que havia sido enganado, mas continuou andando, tentando manter a aparência de autoridade.”
O que significa “manter a aparência de autoridade” nesse contexto?
- Produção escrita: imagine que, no dia seguinte ao desfile, o rei escreveu um comunicado ao povo. Escreva esse comunicado com 5 a 8 linhas, reconhecendo o erro cometido e explicando o que aprendeu com a situação.
- Em sua opinião, o conto ainda pode ser relacionado a situações atuais? Explique com um exemplo.
Gabarito
- O título do conto é “A roupa nova do rei”.
- O autor do conto original é Hans Christian Andersen.
- Alternativa b) Vaidade e preocupação excessiva com aparência.
- Resposta esperada:
Os dois homens que chegaram à cidade diziam ser tecelões. Eles afirmavam produzir um tecido que era invisível para pessoas incompetentes ou incapazes de ocupar o cargo que exerciam. - Relação correta:
- Rei: c) Aceitou pagar caro por uma roupa inexistente.
- Falsos tecelões: d) Enganaram o rei e ficaram com os materiais preciosos.
- Ministro: b) Fingiu ver o tecido para não perder seu cargo.
- Criança: a) Disse em voz alta a verdade que todos evitavam falar.
- O ministro mentiu porque teve medo de parecer incompetente ou incapaz de exercer seu cargo. A resposta deve indicar que ele não viu nada, mas preferiu elogiar o tecido para proteger sua imagem e sua posição no palácio.
a) V
b) F
c) V
d) V
e) F
- Alternativa b) Dois homens enganaram o rei usando sua vaidade e o medo das pessoas.
- O narrador apenas conta os acontecimentos, sem participar da história como personagem. Espera-se que o aluno perceba que a narrativa está em terceira pessoa, pois o narrador se refere aos personagens como “o rei”, “os tecelões”, “o ministro” e “a criança”.
- A frase revela que as pessoas tinham medo do julgamento dos outros. Elas preferiam fingir que viam a roupa a admitir a verdade, porque não queriam ser vistas como tolas ou incapazes. A resposta pode variar, mas deve mencionar medo, pressão social ou preocupação com a imagem.
- Sim. A criança foi importante porque rompeu o silêncio coletivo e disse a verdade de forma direta. A resposta deve indicar que, depois da fala da criança, o povo também começou a admitir que o rei estava sem roupa.
- Resposta pessoal, com base no texto. Uma boa resposta pode afirmar que o rei era vaidoso, porque gastava muito dinheiro com roupas e queria aparecer diante do povo com trajes diferentes. Também pode ser considerado inseguro, porque fingiu ver o tecido para não parecer incapaz, ou ingênuo, porque acreditou nos falsos tecelões.
- Significa que o rei tentou continuar parecendo poderoso, seguro e respeitável, mesmo sabendo que tinha sido enganado. Espera-se que o aluno perceba que o rei preferiu sustentar a pose pública a admitir imediatamente o erro.
- Resposta pessoal. O comunicado deve apresentar linguagem coerente com a situação, reconhecimento do erro, menção ao engano sofrido e algum aprendizado. Elementos esperados: admitir que foi enganado, reconhecer a própria vaidade, pedir compreensão ou desculpas ao povo e afirmar que passará a valorizar mais a verdade do que as aparências.
- Resposta pessoal. O aluno pode relacionar o conto a situações em que pessoas fingem concordar com algo por medo de julgamento, seguem opiniões de um grupo sem refletir ou valorizam demais aparência, status e imagem pública. O exemplo deve estar conectado à ideia central do conto.
Como aplicar essa atividade
Momento ideal de aplicação: esta atividade funciona melhor depois de uma primeira conversa sobre elementos da narrativa, como personagem, narrador, conflito, espaço e desfecho. Antes da explicação, ela também pode servir como sondagem, mas rende mais quando os alunos já têm algum repertório para justificar respostas.
Dificuldade comum: muitos alunos identificam o que aconteceu no conto, mas travam quando precisam explicar por que os personagens agem de determinada forma. Nessa hora, vale pedir que voltem ao trecho e procurem pistas de medo, vaidade ou pressão social, em vez de responder apenas “porque sim”.
Variação por perfil de turma: em turmas com mais dificuldade, faça a leitura compartilhada e resolva as questões 3, 5 e 7 oralmente antes da escrita individual. Em turmas avançadas, aprofunde a questão 15, comparando a crítica do conto com situações de exposição pública, redes sociais ou comportamento de grupo.
Sugestão de atividade complementar: depois da correção, proponha uma reescrita do conto pelo ponto de vista da criança, do ministro ou de um dos falsos tecelões. Essa produção ajuda a consolidar foco narrativo, caracterização de personagem e interpretação crítica.
Conclusão
A interpretação de “A roupa nova do rei” permite trabalhar leitura literária sem ficar apenas na localização de informações explícitas. Para alunos do 6º e 7º ano, o conto favorece discussões sobre enredo, conflito, comportamento coletivo e construção de sentido a partir das atitudes dos personagens.
A atividade também amplia a capacidade de justificar respostas com base no texto, habilidade essencial nessa etapa dos Anos Finais. Ao relacionar a narrativa a situações atuais, o aluno passa da compreensão literal para uma leitura mais crítica e madura.
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